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Sistema de Espaços Livres: Bacia Hidrográfica do Itacorubi

Apresentação

O desenvolvimento das cidades contemporâneas ocorre, majoritariamente, sob uma lógica de conflito entre os recursos naturais e a urbanização. Essa dinâmica se reflete no panorama nacional visto que, conforme aponta o Ministério do Meio Ambiente (2021), a expansão urbana brasileira raramente é acompanhada por um planejamento satisfatório, resultando em cenários de degradação que comprometem a qualidade de vida. Sob a perspectiva da ecologia da paisagem, a consequência imediata desse processo é a transformação de ecossistemas contínuos em fragmentos isolados por uma matriz antrópica (SEALONE, 2006), rompendo fluxos vitais para a biodiversidade.

 

Neste cenário, os recursos hídricos, historicamente responsáveis pela estruturação dos núcleos urbanos, tornaram-se os elementos mais vulneráveis. A ocupação negligente de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a impermeabilização das bacias hidrográficas descaracterizaram o papel dos rios, transformando-os em canais de drenagem isolados do convívio social. Em contextos insulares, como o de Florianópolis, essa problemática é agravada pela fragilidade dos ecossistemas e pela pressão demográfica, que fragmenta o território em dinâmicas socioespaciais complexas (NASPOLINI, 2019).

 

Diante dessa ruptura, o presente trabalho propõe a reconciliação entre o ambiente construído e os sistemas naturais na Bacia Hidrográfica do Itacorubi, utilizando o desenho urbano para transformar margens degradadas em corredores ecossociais que reintegrem o rio à paisagem e à vida coletiva.

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