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Infância e Cidade: O espaço livre como reconciliação entre escola e comunidade

Apresentação

Há um provérbio africano que diz ser "preciso uma aldeia inteira para educar uma criança". Este pensamento ancestral reflete uma verdade profunda: a formação plena de um indivíduo como membro ativo da sociedade não depende apenas do núcleo familiar, mas de sua interação com a comunidade e a própria cidade. No entanto, no contexto do espaço público urbano contemporâneo, as crianças surgem como um grupo social apartado da construção e vivência da cidade, tendo sua existência social resumida a um único equipamento: a escola.

De tal maneira, criou-se uma relação paradoxal: ao mesmo tempo que a modernidade introduziu a escola como condição de acesso à cidadania, ela promoveu a separação física e simbólica das crianças do espaço público (SARMENTO; FERNANDES; TOMÁS, 2007). A criança perdeu sua liberdade e autonomia, pois ao ser protegida pela instituição escolar e pelos espaços privados, foi forçada a romper seus vínculos com os espaços livres da cidade e, consequentemente, separada da "aldeia" necessária à sua formação.

Nesse contexto, a hegemonia do sistema educacional enquanto único veículo de aprendizagem se consolida no imaginário da sociedade moderna, de modo que ao assumir as instituições escolares como único espaço de aprendizado, nega-se o papel educador da cidade e da comunidade. Nesse sentido, segundo Azevedo (2015), ao dar continuidade às propostas de Anísio Teixeira, o diálogo entre a escola (educação formal) e o seu entorno (educação não-formal), através dos espaços livres, é complementar e indispensável, a partir do reconhecimento de que é possível potencializar uma à outra.

Logo, ao entender espaço livre não como um resíduo, mas como um potente território de educação não-formal, a apropriação dos espaços livres surge como uma alternativa para a reconciliação entre a criança, a comunidade e a cidade. Assim, nasce a proposta de uma praça escolar de uso público.

A proposta busca repensar a relação entre o espaço escolar e o tecido urbano, "costurando" esse rasgo que a institucionalização da educação e o planejamento urbano segregador criaram, de modo a reatar os laços entre a criança e a “aldeia", fomentando a apropriação do lugar e a construção da cidadania ativa.

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