Logomarca do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSC

T C C

icon-menu

CENTRO DE APOIO PARA PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE: proposta de reuso do antigo terminal rodoviário de Florianópolis

Apresentação

A desigualdade socioespacial é um problema que assola a humanidade e que, por muito tempo, foi tratada apenas sob a ótica do assistencialismo imediato, sem a devida importância política, social e econômica, voltada para a autonomia do indivíduo. Portanto, a reintegração da população vulnerável apresenta-se como um dos maiores desafios da atualidade, não só no Brasil, mas no contexto urbano global. Ao comparar o potencial econômico do Brasil com os dados acerca da população em situação de rua, evidencia-se uma disparidade alarmante. O país, que figura entre as maiores economias do mundo, é o mesmo em que o desemprego e a informalidade empurram milhares para a extrema pobreza. Segundo dados do IPEA (2025), a população em situação de rua no Brasil registrou uma alta de 211% entre 2012 e 2022. Os dados mais recentes do Cadastro Único (2024) confirmam a persistência desse cenário: entre 2021 e 2023 o número de pessoas cadastradas saltou de 136.117 para 191.111, esse dado contabiliza apenas as famílias incluídas no CadÚnico.

Ao reduzir a escala de pesquisa e trazê-la ao contexto de Florianópolis, estes dados são enfatizados ao se verificar que a capital, segundo dados do CadÚnico (2024), possui 54.349 famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica, sendo 2.287 pessoas em situação de rua. Ademais, a cidade carece de equipamentos que ofereçam uma efetiva porta de saída das ruas através da educação e do trabalho. Compreende-se que políticas públicas eficientes não devem concentrar problemas, mas sim operar de forma descentralizada. Nesse sentido, a proposta configura-se como um centro de referência: um ponto de apoio central que articula atividades e oficinas que podem ocorrer em outros espaços da cidade. Crucialmente, para evitar o fortalecimento de estigmas, o edifício deve ser um equipamento público aberto a toda a população, e não restrito apenas às pessoas em situação de rua. A convivência e o uso misto são estratégias de projeto para promover a reintegração real, evitando a segregação espacial.

Dessa maneira, o projeto questiona a existência de vazios urbanos e edifícios públicos abandonados que descumprem a função social da propriedade. A proposta intervenção no Antigo Terminal Rodoviário de Florianópolis busca criar uma efetiva solução para a população em situação de rua através da educação e do trabalho. A estratégia central é evitar o fortalecimento de estigmas e a segregação espacia, para isso, o edifício foi concebido como um equipamento de uso público, aberto a toda a população e não restrito apenas às pessoas em vulnerabilidade. O projeto visa devolver à cidade um espaço público ativo, operando como um ponto de apoio centralizado que articula atividades descentralizadas, promovendo a convivência urbana e transformando estruturas subutilizadas em locais de permanência e cidadania.

Arquivos

Nenhum arquivo cadastrado!